quinta-feira, 30 de outubro de 2008

THE HOUSEMARTINS e o melô do papel


Em 1989, o Brasil foi atacado por uma música chamada "Build", que ficou conhecida como "Melô do Papel", chegando a ser comercializada com esse nome em algumas coletâneas tupiniquins para lá de horríveis. Uma grande injustiça com os Housemartins: apesar da melodia pop e com um lindo arranjo vocal, trazia uma letra amarga, que o público não entendia por ser cantada em inglês. No começo foram taxados de mera cópias dos Smiths. Até havia uma certa similaridade nos vocais, mas as duas bandas seguiram caminhos diferentes. Após dois discos brilhantes - London 0 Hull 4 e The People Who Grinned Themselves To Death (que foi lançado aqui e trazia "Build"), desmancharam, mas não antes de deixarem um grande legado: a coletânea de compactos e de out-takes chamadas Now That's What I Call Quite Good.




Formada originalmente em 1984, pelo guitarrista e vocalista Paul Heaton, pelo guitarrista Stan Collimore, além de Ted Key (baixo) e Hugh Whitaker (bateria), se autodenominaram ironicamente como a "quarta melhor banda de Hull". No ano seguinte entraria Norman Cook no lugar de Ted. Assinam com a independente Go! Discs e meses depois conseguem um sucesso nas paradas com o terceiro single, "Happy Hour". Intitulada originalmente "French England", a canção chegou a ser número 3 na parada britânica, fazendo com que o disco de estréia, London 0 Hull 4 alcançasse a mesma posição.



Começava a comparação com o grupo de Morrissey & Marr, com quem chegaram a excursionar, como banda de abertura. Embora houvesse semelhanças nos vocais e até nas guitarras acústicas, a proposta do Housemartins era muito mais acessível, tendo como característica notável, os arranjos à capela, ou seja, harmonizações vocais, sem instrumentos. Um dos grandes momentos do primeiro disco é uma versão arrepiante do clássico de Curtis Mayfield, "People Get Ready" (incluindo apenas na versão CD). E foi exatamente uma versão neste estilo que deu o primeiro e único número 1 nas paradas: "Caravan of Love", dos compositores Isley/Jasper/Isley. Apesar de não ter escrito nenhum grande sucesso do grupo (a dupla de compositores mais consistente era Cullimore e Heaton), Norman Cook era o grande arranjador, tocando piano e chamando alguns músicos extras para as sessões de gravações. O disco vendeu a respeitável marca de 500 mil cópias na Inglaterra e o mesmo número no resto do mundo.
Com tanto sucesso foram eleitos em 1987 a melhor banda jovem do país. Apesar disso, Hugh deixa a bateria para Dave Hemmingway. Influenciados por Billy Bragg, abraçaram a causa do grupo trabalhista "Red Wedge" e promovem alguns concertos no intuito de angariar fundos para o partido. Outro artista que ficaria famoso pela sua adesão ao movimento era Paul Weller, já com seu Style Council.



Voltam a se reunir em estúdios e produzem mais um trabalho, o single "Five Get Over Excited", novamente um sucesso de público e crítica.
Mas os problemas já existiam. Paul havia feito "Me and the farmer" inspirado nas lutas das classes operárias. Para o segundo disco, ele preferia dar mais ênfase aos arranjos vocais, enquanto Norman queria trabalhar um pouco mais a parte experimental, testando loops e seqüenciadores nos arranjos e Stan desejava colocar mais camadas de guitarras. Paul começou a tomar atitudes dignas de um ditador, chegando ao cúmulo de editar sílabas de diferentes takes para compor uma canção, digitalmente. Simplesmente ignorava as idéias de seus companheiros, sendo o ápice da discórdia durante as gravações do vídeo para "Build". A única opção comum era que a banda estava se esgotando. Ironicamente escreveram na parede do estúdio "Housemartins R. I. P." (Housemartins, descansem em paz).
Para irritar ainda mais os outros integrantes, Paul disse em uma carta ao semanário New Musical Express, que "em uma época liderada por Rick Astley, Shakin' Stevens e Pet Shop Boys, eles (Housemartins) não eram bons o suficiente”.
Após isso, o fim era a única saída. Os músicos se separaram, sendo Norman Cook o que obteve maior sucesso, com seu projeto Fatboy Slim. Como despedida, editaram uma coletânea de compactos, Now That's What I Call Quite Good.




Como estão hoje
Paul Heaton segue no ramo musical e no ano de 2001 lançou o primeiro trabalho solo, intitulado "Fat Chance". Stan Cullimore fez uma experiência no setor comercial, abrindo um restaurante vegetariano que infelizmente não deu certo. Stan percebeu um talento inato para escrever estórias infantis. Hoje Stan é dono de uma produtora.
Norman Cook prossegue com sua duradoura carreira musical, hoje é integrante do Fat Boy Slim.
Hugh Whitaker vive em Leeds e toca com bandas locais.
Dave Hemmingway continua cantando no "Beautiful South".
Ted Key é professor de Matemática em Berkshire.

Confira o video da música "Build"..o melô do papel

5 comentários:

AJ Oliveira disse...

Essa música é simplesmente sensacional. Gostei mto do blog tbm. Abs.

cleciane disse...

A música Build, foi tema principal da minha adolescência, momentos únicos com fundo musical com The Housemartins. Após alguns anos, com a net evoluindo tive a oportunidade de ver o clip da música, me emocionei, voltei no tempo, o q não mudou foi minha paixão pelo batera Dave, acompanho sua carreira até hoje, apesar dos cabelos brancos está cada dia mais lindo. Adoro sua música Send it in the rain, enfim, achei bárbaro esse blog, parabéns e obrigada!

Anônimo disse...

oi tudo bem??? alguem tem noticias do dave !!! alguem pode me dar uma dica para que eu possa lhe conhecer pessoalmente?? sera que o dave possui imail??/ kisses!!! emanuella...

Anônimo disse...

oi cleciane?? voce costuma ir aos shows de dave??me imail manucababesa@hotmail.com beijos

Anônimo disse...

adoro rever esses clips dos anos 80 me faz voltar ao passado, feliz somos nos que vivenciamos essa época de mta musica boa.